Taking ideas seriously

Este texto foi amplamente inspirado neste post – e, portanto, é, de algum modo, uma tentativa explícita de fazer considerações similares (ainda que de forma muito menos profunda), aplicadas ao meu universo particular.

 

Antecipo desculpas se essa discussão (ou, melhor, questionamento) parecer excessivamente não fundamentada. Em suma, estou descarregando, de forma desorganizada, uma preocupação que surgiu de forma súbita. É provável que exista uma ampla literatura sobre esse assunto, em filosofia e psicologia (e quem sabe até mesmo em ciência da computação!), e que eu devo, agora, tentar consultá-la. De todo modo, com sorte posso conseguir coletar algumas opiniões e fazer um mapeamento inicial do território. 

 

OK, talvez qualquer pessoa sensata já tenha esbarrado com e lido uma torrente de textos discutindo esse assunto, mas sou desatento. Também me desculpem se esses tipos de questionamentos já tiverem sido “moda” em algum tempo (ou mesmo agora). Eu realmente não conheço nem tenho intenção de sinalizar qualquer tipo de comportamento ou valor específico (e.g. diferença, independência). Meu objetivo é puramente instrumental. Quero apenas saber como VOCÊS conseguem viver e tomar decisões importantes enquanto afundados em tantas incertezas sobre questões tão BÁSICAS.

 

Como as pessoas podem ter tanta certeza sobre as suas vontades? Como podem ter tanta certeza sobre as vontades e motivações que, à luz de um suposto “auto-exame”, pensam ter identificado? Como podem estabelecer objetivos, traçar metas e tomar decisões fortes, com enorme envolvimento de recursos (financeiros e emocionais) por períodos muito longos (eventualmente décadas)? 

 

Eu consigo reconhecer a utilidade desse tipo de ilusão sobre as possibilidades do auto-conhecimento, do processo de prospecção das motivações, ou mesmo, mais do que isso, a utilidade de se reduzir a um mínimo os modos não-automáticos de funcionamento. Ou ainda, a utilidade de se adotar rapidamente, sem maior exame, um pequeno conjunto útil de valores e a partir daí entrar em um modo de operação mais ou menos automático, mais ou menos coerente com aquele conjunto de valores (?), mas voltado principalmente para o “mundo externo”. Apesar disso, como as pessoas conseguem (ou acham que conseguem) separar o sinal interno real do ruído? Porque elas imaginam que os dados que elas eventualmente coletaram não estão corrompidos por todo tipo de desvio? Como acham que podem filtrar isso? Aliás – e antes de tudo – de que modo as pessoas em geral “definem” (ainda que apenas implicitamente) vontade?

 

Ainda que fossemos amplamente capazes de acessar nossas motivações e vontades, com grau de incerteza baixo o suficiente para tomar uma decisão de longo prazo, como decidir comprometer tantos recursos, por tanto tempo, se nossas preferências, “vontades” e motivações não permanecerão fixas (e nem deveriam) ao longo do tempo?

 

Afinal, o que são esses “valores”? Que processos dão origem a eles? Como você identifica um valor? A princípio, é possível que alguém confunda emoções que associam a estados específicos do mundo (e.g. igualdade, liberdade) por interesses diretos nesses estados?

 

De que modo é possível, uma vez preso nessa “armadilha”, voltar (ou simplesmente desenvolver isso pela primeira vez) a cultivar simplificações e ilusões úteis?

 

Me confunde o fato de que pessoas claramente mais inteligentes do que eu, capazes e interessadas na reflexão filosófica, podem tomar esse problema como uma questão fechada. Talvez me falte atenção a algum aspecto fundamental, alguma premissa implícita que não consigo enxergar, mas que seja tão intuitivo à maioria das pessoas que elas sequer precisam pensar diretamente nessa questão. Assim, se você pretende comentar (obrigado), seja explícito e presuma que sou um alienígena.

 

Como VOCÊS podem ter certeza de que a sensação que vocês têm quando acreditam ter identificado uma vontade, motivação ou valor mais profundo não seria, na verdade, digamos, indigestão?

 

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Um comentário sobre “Taking ideas seriously

  1. Eliane

    Acredito que vale a pena você dar uma olhada neste livro: Insight: A Study of Human Understanding, Volume 3 (Collected Works of Bernard … http://www.amazon.com/dp/0802034551/ref=cm_sw_r_tw_dp_ihIVpb1XMVX7Y via @amazonGostei muito do seu post, valeu uma boa conversa com minha filha. Não tenho qualquer formação, me aventuro em leituras que estão muito acima de meu conhecimento por vontade de saber. Mesmo assim, passando por cima de muita coisa que não posso entender, sempre me deparo com explanações claras e reveladoras, como o foi ao ler um único capítulo deste livro: A Possibilidade da Ética. Insight já foi traduzido em português, mas pelo site da Amazon você pode ler todo o índice. Abraço!

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